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o meu sentir




alguém ainda acredita que premiados serão os melhores?
o ato social tanto me intimida
eu tão tímida e nunca temida
- me dê mais muitas chances?

quer contar os anos mas tem que parar de contar
é sempre tarde
eu sei que crer não funciona
mais: nem crer pra viver
é imaginação - ilusão - falsa estória
é verdade também pra mim
só que diferente então

tudo posso no que me fortalece e assim milhões de nós
complicado pro meu lado
que eu eu

eu



do que não tenho medo de ter



o tempo que a vida leva
o convívio público nessa certeza
com os ausentes no presente e sempre

o mistério que alimenta a paixão
o conhecimento que alimenta o amor

o controle dessa cascata atávica
- e se desse começaria agora de novo
mas me atrapalho - perdão

provavelmente me antecipo ao prazer das palavras
que povoam tantas certezas e medos



vou parar e escrever números aleatórios


deixo o sucesso passar perto e incerto
pela enésima vez por circunstâncias pessoais
péssima técnica pra quem quer mais
(o quinto beatle que o saiba mas o nono bono que esqueça)

observamos um largo cruzeiro que avança
unidos no vagar da vida
e só um grito de gaivota nos alcança

já desenvolvi bem nesse quarto



aparência é essência?

o mundo seria melhor se eu fosse essa ou aquela outra?
se eu fizesse mais que faço, o quilo teria mais gramas?
e se meu sonho fosse só uma cama mais macia - seria?
duvido que se minha boa vida fosse a medida de tudo
soluções fossem sem soluços
ou exercícios sem sombras:

o sapo com um cisto no cílio
um parasita
desenvolve vários membros
nove novas pernas
cinco braços finos
um monstro enfim - seria?
o parasita é só mais um ser num ser

minhas formas e sonhos acanhados - não tacanhos
são matéria que não sou eu
há uma beleza que me escapa e me empunha
se a tivesse saberia que anoitece
seria testemunha

ando parada




ando doente
vomitando palavras
mordendo meus dentes
mastigando a saliva e sorrindo
sorrateiramente
com olhos de coisa louca

ando imitando o ainda vivo
num movimento aflitivo de coito
num você disse eu não disse
num exercício em idiotice
eu que sabia de tudo em 78

parece que me perdi por aqui
a paisagem passou e eu não vi
queria comprar conteúdos e me expor
queria o quebra-cabeças esclarecedor
queria também minha flor, obrigada
vermelha e apaixonada

vou limpar o armário dos fundos e inventar um inventário de mundos
vou preencher páginas com ovais pra ver se ficam todos iguais
vou começar de qualquer ponto pra rodar o gato tonto
vou indo fingindo que navegando
parada que ando



poesia minha: quando eu não estava aqui - vinha!


tenho uma coleção de palavras
agrupadas assim e assado
me queimando as pontas dos dedos
minha língua e meu amado

deixo que elas aconteçam
assim e inesperadamente
revelo o sonho e relevo o soluço
como água no cimento quente

levo-as a todos os lugares
sem prendê-las a nada e a ninguém
sou só sua testemunha
e seu instrumento também

celebro seu poder e beleza
mesmo na fragilidade
a força dos iletrados corajosos
esta na ingenuidade




whatever




time strikes louder than my granny's clock
but usually i'm ok now
not picking fights anymore
not even with my own viruses

that's how life goes:
you don't say
you say
you keep talking
you don't have anything to say
you only talk bullshit
you shut the fuck up

some good examples:
you say ballade i hear blabla
you say art i hear fart
(at least
that's my own twist
to it)

just try not to become roadkill or roadrunner
any of those will get you gone too fast




pronto - meu segredo!









sou
insegura
faço tudo de graça
delicada - tipo altamente (infl)amável

se mergulho no orgulho
e me sinto sensacional
me descubro desmatando palavras
com duplicidade 220 volt
será que paro?
é preciso ser o máximo pra ganhar um dindin?

sou insegura sobrevivente
se negar eu afirmo se afirmar eu ego
eu acho!
sempre supero as perdas pra não apodrecer
que a partir de certo ponto nem reticência salva

desculpe-me por ter vindo nesses nossos novos tempos
sei que estamos num momento de viver pra provar
moderníssimo no pós
e sem um segundo pros inseguros

mas eu sou
antes de insegura
sou




call me cat






quando desisto e não vou
não é o tombo que me assusta
ou o dente quebrado
o medo do nada que oculta o buraco
a febre do faça como todos
o novo que já é tarde
o tudo de graça
a riqueza da memória que se perde
palavras em conchavo
celulares zumbis

tudo isso muito me ronra
meu sábio novo amigo
o que eu quero é crescer em torno dessa sombra
nado em matéria prima e alimento
pros meus próprios pensamentos
foi é assim e será

se me atrapalho de novo
próxima vez faço outras coisas erradas
a criatividade nunca cessa em tantas dimensões!

o cerne: quando não desisto
é porque existo




ah bolt - you make me shine with your light&fire!!







‎*
ARXVIS EST, UBÍQUO QUORUM


pensei estivesse só

mas meu eu só

nunca é-me um

sua imisçura e desmesura

nunca me abandonam

nem tampouco me abonam.



meu eu só meu só meu eu só sou;

ué, eu

acompanha-me

como assídua assombração súdita e soberba

oscilando-me como usura e sutura

assustando-me como amputação que impetra sangue

apavorando-me como apuro que aprisca a sátira

alertando-me no reverso dos agógicos catetos limítrofes

o quanto suporto o fio

e os aústes da ausência

mas não comporto os botalós botos

da aglomeração


BERNARDO BOLT GREGORI




##Poema dedicado a RENATA DE ANDRADE – Imensa Multiartista##

blogs:
palavraopalavrao.blogspot.com
historiasmicroscopicas.blogspot.com
escutaoculta.wordpress.com




é melhor fazer o bem ou fazer, meu bem?






faço de suas minhas palavras:
cópia deixada é cópia levada
achou as chaves? são nossas!
questão de simples lógica lisérgica

e que a fama nos leve a uma vida a mais
sem que a morte exija direitos autorais




cessa, cassa, caça essa caca e castra!











de pressa e de vagar
todos vamos e sabemos
o que não mais temos
é o pouco
ou mais ou menos




i make your words mine:








copyleft is copyright




pragmatic lover















guy goes boner gone




quickly connect with some people you think you know





i'm game and i trust you to see:
is poetic truth also true to reality?
happy stories can become great dramas
if law suit follows or if children are attributes

here's another one: reality television is television of television
now - fiction tv should be about vision but it's not
in fact it couldn't be less

so as the flower power smells rotten nowadays
and as here where this dark side has a grip
there's no telling when or if your own private god
will be replaced (or not)
i'll declare with conviction my loss:

NO WAY!
no need for you to understand
as long as i can stand the pain




(eu vida!)




prestou pra te criar e agora é guerra?
que bom que a gente quer ser feliz de qualquer jeito
mas ainda assim prefiro te colocar na quarta cena
quando a curiosidade não nos cala e passeamos por paineiras
atraídos e traídos pela trama
nossos olhos semi-abertos
o passeio nos tocando a cada passo
e tudo em falso: essa a vida

não importa a irritação contra o que nos contraria
é indiferente ter uma coisa ou outra, visse?
feliz é ser clarice




abraçando lobos


não subestime a cólera do poeta
a força e violência de sua bílis
mais azeda e ácida - a fúria
nas palavras cuspidas vomitadas
o veneno em linha reta e em dobro
uma indignação com cãibras
dores intra-venais - que não perdoa
nunca
nem sua mãe
a coitada

viver com ele seria mais fácil
se não fosse poeta mas lobo

seja um achado: perca-se!


querer é um anteontem - passou - não se viu ou ouviu
e não pra ganhar a discussão mas sabedoria
eu diria que na vida a grande ironia
é que morremos um dia pelas nossas próprias mãos
queiramos ou não

olha esse cara na tv vendendo sabão
semana passada passava fome - hoje é o homem!
de tanta surpresa me calo e não consumo

mas estou cansada e batida
parece mentira que você sumiu
depois de tantos meses de batalha
de tantas musas na navalha

que surra
meu lado sensível agora é onde sento
não onde sinto

a grande volta dos perdedores



seria anarquia se não fosse bipolar:
o ser desumano em desação
fantasiando orgasmos

e o desprezo que segue o amor ainda apaixonado?
percebe-se que o que se deu não foi gratuito
regateia-se o retorno
pois nunca é tarde pra se ansiar o que nunca mais virá

sou vagabunda não porque vago
somos todos vítimas íntimas
voluntários sem escolha
arrebentando - mesquinhos - inspirados

ser vilão é muito relativo
ser herói absoluto

assimilo todas as manhãs a lei definitiva do erro


tem-se que ser sempre mal-entendido
há os que disfarçam mas não há nada mais a retomar senão o mesmo
gozado a gente esperar mais até no desprezo
o mal do mundo é que não existe deus mas o ser humano

estou vendo em excesso - coisas demais
não me passam desapercebidas
coisas que preferiria não ver

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