...................................................................................................

ao mestre que morreu orgástico







vem, querido, queimar minha mata com seu fogo
melhorar tragicamente o impossível reconhecível
que aqui eu me absorvo
e transbordo violenta
mente








gramática matemática






eu conto nessas contas
as minhas raízes e sintaxes
as muitas relações parafraseadas
o nada resultado
e dos vínculos metódicos
com seus múltiplos princípios
e numerosas finalizações

mas tanta realidade física
diminuta e vasta
- giz estridente no quadro negro que nos cobre -
só erros:
figuras traindo e subtraindo
desvendando mil possibilidades
más propriedades ou dados pertinentes
quando a noção fundamental
de se ser singular ou ser plural
(uma álgebra de gente)
transcende meus sentimentos abstratos:
deduzir o elementar não basta
quero mais
quero a grandeza dos tratados
elementares infinitesimais
e não carentes

tudo me soma

se diminuo o roteiro que me regra
ou se multiplico as escolhas e me falho
divido o meu feliz
e me calo



teu nome é homem







vazio que me completa
trato de pura prata
me afeta e arrebata
cometa:
mui grata







dedicated to the norwegian monster



castration is not enough:
cut off his dick
his tongue too
break all of his teeth
and some drops of acid on his eyes
might do the trick

then let him go for a midday walk
in the criminal yard
where the normal delinquents
socialists or christians or atheists
will be waiting
like in the movie we all saw



the future might still exist elsewhere





there
misery won't express itself toothless
wild and blind
always starting the day with a tear

there
one lives forever in creation or death
and common sense is nonsense

remorse won't come with pleasures
and the sea won't be this boundless blood
spreading the news
as a matter of fact and course

yes
look how they dress their weapons here:
friendly innocent eyes longing for contact

i should have kept god in a bag
at least i would know where to find it back



















saudade da suavidade

certas coisas me escapam
por exemplo:
seu mar

ela levita de linda
sobre um veludo que entorpece
de azul

não quer ser a heroína adorada
e tropeça no raso
deliberada

olho sua delicada queda
enquanto a quebradiça poeta
me molha

poesia quem lê é o outro



há um de nós perdido sem dó
que entrou na dança por aqui&ali
construindo palavras como se fosse pedreiro
as mesmas que não param de me escorrer
pelos olhos orelhas e outros buracos
porque eu hospedo o mesmo senso do só

leio sua verborragia vomitosa
sua ousadia suicida na sala de controle caótica
meio deputado dos vários significados
meio irmão não de sangue mas meu
no que resta de original
dessa nossa existência ominosa

meu sargento dos verbetes cadetes
meu primo milionário
- eu ainda mendigo
e me perco imunda e fedida pela cidade
entre prédios tão bem construídos
com palavras e cimento e confetes

[dedicado a bernardo bolt gregori]



a flácida pele da inteliguêntcia

a pequenos dramas se deve respeito
mas tem gente que não entende esse conceito
é quando o orgulho pesa mais no casaco que no peito

e se nossos sentimentos
apesar de um pouco empoeirados
no desprezo pela superficialidade
no desdém pela minuta da realidade
e sem as partes fundamentais
sem partes a se beijar
se transformarem em liberdade
no amor supremo e suprimido?

e se eu aqui que nem sei quem
através de uma outra que não eu - que não sou
- nem respirar eu sei -
que primeiro criança depois cobra
no entanto mais infante do que antes?

nessa pressa me esqueço da vírgula
porque há sempre alguém atrás:
primeiro acossa e faz
depois assaz atroz
arremessa feroz
inconfesso
calígula



um brinde pra mim



meu sangue é velho e grosso
jorra tosco vermelho escuro
por rios de várias margens e mares cruentos
assim sem rumo como se fosse livre
mas não é

meu sangue também não é simples
é arrogante e eu minto quando enrubesço:
essa cor no meu rosto é ira e lamento
não modéstia
sou uma besta sanguínea

meu sangue não é doce mas bebamos
que o que te ofereço nesse copo embaçado
- meu fosco tormento -
é o sumo do que sou - a gota que restou
de muitos anseios e um desejo sem fim



Archive

Followers