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aqui, amada: adeus

uma estrela que não mais existe encosta na lua que lhe sorri, e diz: um poeta nos viu, vamos disfarçar e seguir sem mais

sob os olhos dela nesse azul de tempestade
olhos onde o sol vem buscar luz
(os meus tão verdes quanto o ciúme)
seguirei te seguindo

e assim de repente, quando nosso encontro nos perder
- e imediatamente, porque foi, não por querer
também se achegará o mar, buscando seu sal que é meu
que fui eu

me dispo, estou pronta

errata, meu nome é renata

perjurei meu amor mil vezes
ainda assim meu amor me quer
meu amor nada sabe de acepção
e gosta de contrariar o contrário
de conjugar




palavras que me ocupam e não desocupam:

comecei a chover quando o plástico ainda era inocente;
sargasmo é a pele do prazer e a subcutis do ódio;
isolar, doce lar - que tem domingo que vem?;
e romper com o irromper.

(rescrevo porque são letras, fossem sons trinaria)

atlas das nuvens: a aventura da viagem













publicado nos recortes da obvious, por arxvis

eis um livro para quem gosta de aventura - todo tipo de aventura. eis um livro para os filósofos, os sociólogos, os historiadores, os analistas políticos, os amantes da música, para quem gosta de quebra-cabeças, os jornalistas e investigadores, os matemáticos, os especialistas e - claro - os apaixonados pela literatura


















Cloud Atlas (Atlas das Nuvens) - esse título foi que me chamou a atenção. Um autor que escolhe esse título deve ser poeta. Escritores amam as palavras, obviamente, mas alguns as amam mais - alguns escritores se perdem e nos encontram nas palavras - no sentido, no som, na composição musical, visual e significante.








Numa de suas aulas, Nabokov explicou que o bom escritor domina três artes: a do contador de histórias, a do professor, e a do mágico. Sempre achei essa analogia do mestre perfeita: a contínua fascinação que as histórias exercem sobre o ser humano, o poder da leitura para a mente curiosa por conhecimento, e o papel da imaginação na criação de cenários e situações impossíveis. A palavra escrita elevou a humanidade às alturas em que se encontra hoje em dia.







Qualquer que seja a língua, essa brincadeira séria chamada literatura acaba nos levando - nos brincando - junto. É uma espécie de rapto, uma viagem no tempo e no espaço, uma meta-experiência do aqui e lá e depois e antes - o agora totalmente esquecido, o agora um trambolho nos atrapalhando nessa viagem absolutamente necessária que se dá e se faz agora. Quando comprei esse livro numa estação de trem da Europa, minha viagem pelo Atlas das Nuvens me levou muito para além do meu destino.





O enredo do livro é um quebra-cabeças que se monta no tempo - passado/ presente/ futuro/ presente/ passado - uma parábola parabólica, onde várias histórias interligadas se encontram e re-encontram constantemente. Para tanto, o autor faz uso de vários estilos literários - diário, detetive, ficção científica, entre outros. David Mitchell soube criar com sua arte um movimento atemporal e relativo (acidental, contingente, variável), onde uma busca vital gerada no passado encontra suas respostas não no futuro distante - um futuro primordial! - mas na própria história, seja ela fictiva ou não. Essa é uma história sócio-política com sabor de aventura, uma crítica ao des-envolvimento da sociedade capitalista e sua bancarrota final.




"Total e maravilhosamente épico", dizem na linda chamada do filme produzido pela Warner Bros, e lançado no dia 25 de outubro de 2012, numa exibição especial em Los Angeles. Apesar do filme no Brasil ter ganhado um título bem mais simples e pragmático, seu trailer promete muito:


A Viagem - Teaser trailer ofical legendado from Imagem Filmes on Vimeo.
Adaptação e Direção: irmãos Wachowskis (Matrix) e Tom Tykwer (Corre, Lola, Corre!); estrelando: Tom Hanks, Halle Berry, Hugo Weaving, entre outros; © Warner Bros.










Mas é difícil criar algo que supere a imaginação quando se lê um livro como esse, e há que se levar em consideração as diferentes linguagens que são literatura e filme. Hollywood pode tentar e continuar tentando eternamente - afinal de contas, há sempre quem veja um filme sem ler o livro no qual foi baseado. Há também quem veja um filme dito histórico sem saber da história, e passe falsas informações adiante como verdadeiras. Há até quem não saiba ler além de 140 caracteres, incluindo os espaços. Atlas das Nuvens é a história que conta o que poderia acontecer com essas pessoas.



Não há ainda uma tradução em português para a página Wiki de David Mitchell, mas os que dominam a língua inglesa podem conseguir muita informação sobre esse escritor na Wikipedia.

descolar é sintoma - e não é nada chic

negar nossa sempre aliança com o oportunismo sem-vergonha é desconhecer a capacidade de percepção do povo em geral pela sua realidade e história social e política e a única conclusão possível nesse próximo capítulo novelesco é o embraçamento, a nascençação, a recatástrofe

esse monstro que me come é bem metódico:
primeiro come meus membros
depois engole o tronco de uma vez só
por fim, pega minha cabeça entre suas mãos
me olha direta e profundamente
sorri sem malícia e lambe minha cara

o monstro fala: que gosto salgado, menina
não combina com o resto!
- é que, no fundo no fundo, eu não presto

afrodisíaco de maníaco

a culpa da beleza é da bela menina
ajoelhada em praça pública
(ah a fêmea e suas pedras milenares)
apanhando a pau duas vezes:
a primeira de seu algoz
a segunda de seu algoz
e o pai (perdão: terceiro e feroz algoz)
ainda tendo que pagar uma multa
pela 'sem dúvida alguma' proto-prostituta
(se bem que não, mas como evitar a correnteza
desse rio de semen que já a segue desde sempre?)

inocência é luxo e pecado a ser quitado
devidamente

conquistador conquista a dor

para desbloquear vire-se -> siga pelo lado esquerdo da barraquinha do chinês -> bananal -> é a vida que leva a gente, não a morte

a única coisa eterna - o que nos resta - da infância
é a memória
mas ela não dura muito

a única coisa certa - o que nos aborta - da memória
é a eternidade
mas ela não dura muito

a única coisa que fica - e que nos trai - da nossa vida
é o silêncio da tarde que cai
num instante

são tantas coisas únicas nessa escuridão
quando nossa lucidez não mais ilumina
e um cão ladra ao longe

solene ambivalência

infelizmente não fui levada
nem danada - fui de nada
muito tímida, amedrontada
pensando em rimas e motivos
silenciosos

agora é suruba na suburbia
o sangue escorre significados dissonantes
e significantes que não são vermelhos









foto: 'quarto de dormir' ©abital&amun

meu mar urgente

algo intermediário, um elemento natural entre a paisagem e o grau (não importa qual), uma substância (como o ar) intervindo através da força e do efeito que produzem (indo e vindo);

o que o rodeia (meu mar urgente) são condições, influências, outras maresias, objetos de outros dias;

perene essa adolescência











irrevolução é revolução irresoluta?

ontem pra mestre poeta
ousei a frase do aprendiz que não cala
(foi só mais uma dissonância)

auto-confiança é uma ferramenta
perfeita pra sobrevivência
(poesia é é é e se não é é)

viveremos assim pra sempre, se vivermos
desentendidos na honestidade
mesmo na fidelidade infinita
(e outras mentiras)

corrupção tem duas faces: a cara e a coroa

não sou eu que cometo erros: são meus erros que me cometem

são essas seduções rasteiras e inesperadas que interrompem meu pensamento, me distraem no tempo que tomam, no espaço em que me dominam - sim, a mim! - num momento dito privé, que não o é. por dentro, por cima, e - daí? - porque.

cuidados com o rosa em botão

seja amável no anseio
sutil na ingenuidade
respeitosamente desinteressada
construtiva ao decompor
delicada na ousadia
e tranquila
na própria maestria

aqui meus sonhos e desejos ainda no mar do pensamento
perdidos embrulhados em papel de plástico, pra presente
peças planejadas e executadas e tudo um nada
um nada como pode

não me calo nem me poupo, nem um pouco!

pior cego é o surdo

ando tendo ataques de idade
ataques de açúcar e sal
de exaustão depois do descanso
de dores aleatórias e bem definidas
de queimaduras que não percebi
de frustração no humor
silêncios, paradas confusas à porta
olhares perdidos na praça
fogos acesos, visitas inesperadas
comidas estragadas na geladeira
e muitas outras coisas, tantas coisas
que felizmente ando esquecendo

lixo

saudações
sou banqueiro e programador de crédito do sistema (HSBC).
vi seu e-mail navegando na tela DTC do banco em meu escritório
então, ontem decidi usar esta oportunidade pra te conhecer.
devemos aproveitar todas as oportunidades para nos conhecer melhor.
no entanto vou contactá-lo pela razão óbvia, você vai entender.
esse e-mail é apenas para saber se o endereço está OK,
responda-me, para eu mandar mais informações.
tenho uma coisa muito importante para discutir com você,
espero sua resposta
tenha um bom dia.

spam

greets
i'm a banker and credit system programmer (HSBC).
i saw your email browsing through the bank DTC screen in my office
so yesterday i decided to use this to get to know you.
i think we must use every opportunity to know each other better.
however, i'll contact you for the obvious reason, you'll understand.
i'm sending this just to know if the email address is OK,
answer me back, i send you more information.
i've a very important thing to discuss with you
look forward to your response
have a nice day.

junk

Groeten
Ik ben een bankier en kredietsysteem programmeur (HSBC bank).
Ik zag je e-mailadres tijdens het browsen via de bank DTC scherm in mijn kantoor
gisteren dus heb ik besloten om deze zeer kans gebruiken om u te leren kennen. ik denk dat
We moeten elke kans benutten om elkaar beter leren kennen. Ik ben echter contact met u op
voor de hand liggende reden die je zult begrijpen.
Ik stuur deze mail gewoon om te weten of dit e-mailadres is OK,
antwoord me terug, zodat ik meer informatie naar u sturen.
Ik heb een heel belangrijk ding om te bespreken met u, ik kijk uit naar uw respons op
Heb een fijne dag.

traga meu setembro agosto




um minuto depois - 3 HORAS!
dois minutos depois - 3 HORAS!
três minutos depois - 3 HORAS!

o tempo é mais que um verbo conjugado

o tempo é a gana pelo nada
é a fada e a nana
é uma preciosa e viçosa casca de banana amarela
guardada na gaveta
e escurecida no silêncio do sono
naquela noite na infância

o tempo é a surpresa ridícula dessa morte
e o acordar da ignorância
é uma casca de banana velha
e a tristeza abissal e abjeta
que ela exala

o tempo é essa correnteza fundamental
e sem meta

raposas do ártico

eu sou uma raposa ártica. meus olhos são cegos, mas posso ver o futuro. sou casada com outra raposa ártica - minha esposa raposa - e eu a amo tanto! nós corremos muito rápido, somos ágeis, totalmente silenciosas. a-do-ro a idéia do estilo dos nossos penteados, dizem que indo pra todo lado. e agora tenho uma forte visão do seu - o seu, hey, sim, o seu! - esqueleto

aqui um brinde à boa dor
à falsa farinha que se canta e decanta
à entrega com excesso a coisas ruins
ao nunca parar nunca, ao compositor
em seu constante estado de atolamento
ao inventado no desespero e no pouco caso
(à wanda da ziza que logo vem
super simpática ela também)
e à devida proporção das consequências:
se vai vai se não vai vai vai
meu moleque doido!

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