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urgento desde o momento em que fui pensamento


óleo sobre linho, 120x125 cm, 2004


um gato confuso e desarrumado
vomitou a vida na sua última saliva
e no meu abraço de despedida



ontem, a caminho durante horas depois do acidente
construí um poema em torno desse instante:
cicatrizes, piratas, o constante repentino
e tudo mais que nāo pude anotar

o que restou foi isso

um agora urgente
esse vago velar




confabulando: se eu fosse e estivesse, faria


óleo sobre linho, 120x125 cm, 2004


logologo transpiro algo e algas, e só aí e então vou rolar e rocar em todas as ondas!


desculpa, mestre
mas que tu sabe de gauche?
tu sabe nada sólido
tu só sabe de tudo - mas gauche?

eu aqui queimando palavra e palavra
dizendo coisas detrás das coisas
um bocão mesmo quando devia me calar
perdão, mestre

sou gauche do gauche que dói:
só o erro me constrói

e sou eus, sou bem mais
meu lamento de cisne sāo vários
mas considere-me só musa agora

a pedra bonita
brilhando verde neon na penumbra
me lembro
um presente e um veneno presente
eu lá disposta, à disposição
depois eu desdita muda nunca muda
fazer o que? foi tu que plantou, mestre

certas palavras são dadas e não escolhidas
soluçam lá, quando chegam ao ponto
são coincidências do puro
tesouros tesados que apesar de abertos
não se revelam

assim gauche, mestre, assim gauche




em como uma pessoas de bem se torna uma pessoa de bens



se preocupar pra quê?
façamos nossos poemas enquanto o mundo queima
toquemos nossa lira entre gritos e chamas
um bom gole de vinho, um drama, guloseima, buquê
chorar pra quê?


ocupemo-nos com obrigações gerais, coisas da vida. o fim é assim: morte que vive entre dois seres, o primeiro e o último duas pessoas vivendo a mesma idéia - ao menos imaginando que vivam, conceito e peito (mas eis que revela-se a escura revelião e diz, pensa e lucida A REVELIÃO LUCIDA assim sem acento, isso)

meus dedos envelhecem, juntas que engordam e dormem sonhos que soam como sinos no meio da noite e me deixam sozinha (a amorosa amada ao meu lado sempre, que sorte a minha) eu sozinha

ela tem os olhos azuis como um blues perfeito, feitos de luz, me olham como se eu fosse sua e sou, sou sim sou sua

arre, me ouça falando palavras nobres e ambíguas, querendo atenção. lição: quiabo cura úlcera, nada se perde no entulho, recomeça-se quando se-reacaba. não me leve a sério só de leve mas demais que ainda vou com muito ânimo no amor sempre em frente e além




entretudo entrementes


tinta spray e acrílica sobre madeira, 100x150 cm, 2010


me alimento comendo a carne morta em torno das unhas


vem meu amor vamos comer a noite
esqueça os sinos, é só metal
os rituais e sacrifícios só metais
talheres e tristezas
esqueça a etiqueta, os afazeres
vamos ao sol de sobremesa

veja meu amor como a fome se foi
nos iremos também depois




transberçal falímia concordistâncias



words, translation&voice: renata de andrade
concept&realisation: marianna maruyama




papentear, povo!







craque na lengalenga



escrevo em tudo que é canto e canto em tudo o que escrevo

meu querer é mesmo meio esquisito
não quer nunca o que eu preciso
mesmo tudo constando no requisito
datado com firma, nome e apelido
com todos carimbos, razões, coisa e tal
tudo devido, contado, oficial
especificado, justificado, salvaguardado
autenticado e expedido dentro do prazo
o cerne queimando o núcleo exposto
meu querer nunca quer o que quero
do meu querer sou só mero acaso




plasticbags8096







ike shimada (1961-2013)



o dia é curto, meu irmão
o tempo passa com o vento num passarinho
e te leva
a gente vive aqui, na possibilidade
(viver é um vamos ver)




não sou só eu que não sou só eu



quando sofro de melancolia
vou e como melancia, ou não
- duas rimas sem solução



nos partimos no amor que morre
somos todos o coração de vladimir
(cada vez mais imortal
o poeta a sorrir nos agradece
e coisa e tal)

vladimir sabe dos amores idealizados
sabe de agostinho, que morreu com a leila
dos voluntários no veneno, sorrindo desdentados
e do pai do menino, o militar que tomou seus amigos
a luz do dia, bem no meio da feira livre
pouco antes de partir também pra margem direita
do lamento

tanta erudição no coração partido do poeta
que ainda bate, violento




tão imprecisos os impressionados pela impressidão



não caibo, confesso
mas ao diabo que meço!



outro dia apanhei no meio da rua
de um jovem infeliz 4 vezes meu forte
mil vezes meu ignorante

entrementes, a covardia também vem de farda
em todo canto vidas que custam muitas outras
tanto canto e tanto choro pro esgoto
que não se escuta nem se esgota e nem se escora

entrementes, o bando de capanga segue em frente
cursando a faculdade do malfeito
um sucesso o preconceito
específico bélico horrífico dinâmico
(e tudo mais que rima com psico)
- que venha a inevitável explosão!
(viável, pois de uma multidão)

entrementes, o encanto do bebê lindo que fala baba
me cala: é o magnífico da vida que não finda
entre mentes




things7983







gauche




can i signify?
may i leave a little note
with a tiny goodbye?
a final message
a pain in the neck
for i got gas
yet



suicide boy

the boy's blue eyes
with grey blue rings
says 'careful, momma
i'll cut my strings..'

he's a mild sweet smile
his momma eats rings
little greasy onion things
she's desperate

a black suit king
doesn't look their way
'be careful, momma,
i'll make suicide..'

their bus turns round
his momma's pretty mad
full and foul, shit off her mouth
crumbs and spit that fly and fall

'shut the fuck up, stupid kid!'




o bom filho a casa entorna



perdi a mão, perfeição
ofendi a galera que agrupa
fiquei nervoso com o dia
e peço sinceras desculpas
deveria ter falado o mesmo de outro jeito
(poderia ter falado torresmo ou alface
e ser aceito)
mas vida é só desacerto
só poesia, só solidão

(com pedro rios leão)



todos os dias acordo prum novo horror:
o juiz que proíbe a própria prisão
padres e empresas ansiosos
um capitão de indústria neo-turbo
(que aprova o próprio requerimento
e concorda consigo mesmo)

então terei o prazer de estragar meu trabalho
pra isso usarei o manto e o momento do amor romântico
pra isso criarei um novo membro em novembro
pra isso serei outro temerário da história
não um indivíduo mas separado

e o perigo sempre à espreita?
e a dor da pedra e da perda?
que sem sacrifício um ser não vive
(já ouviu um abrahão - ou não?)

muita gente suspeita, muita desventura
vou rechear meu texto com nota obscura
e vou rechear minha palavra com grunhido
que a voz da ignorância tem muito ouvido

(pra pedro rios leão)



despir o corpo pra descobrir o coração



ah, a descoberta do prazer!
e depois:
ah-ha, a descoberta do auto-controle
o mais poderoso dos prazeres!


cara inveja,
para o que almeja, deseja, o que seja:
lacrimeja, pragueja, esbraveja, cacareja!
e veja: o que em mim lateja nem pestaneja.
vai e rasteja.




sem pé nem ôpa - errei na cabeça!






















ai vida de inconsequências
veja aquela velhinha apodrecendo na padaria
poderia ser eu mas não sou
cheguei cedo tomei meu suco e me fui
a bactéria está no cru e eu defumei

como anda o livro? anda sozinho sem mãos
danço a dança mas acabei dançando
vão apreciar menos? penso que não

mas o que eu queria mesmo dizer
: edificar - construir - é difícil
certas palavras só destroem
nos tiram a guarda e o pão
e então somos nós, apertados
mal-entendidos e menosprezados
poeira de implosão




vida fodonha



aqui minha mensagem a-final:
sou seu navio at-errado
(meus disparates também são seus)
seja gentil enquanto me a-firmo
em praias movediças

de resto - vamos!
enquanto ainda somos
somamos
este o nosso luxo
(alguns não têm nenhum)
vamos! não se assuste
talvez, apenas talvez
tal vez
não a penas



a vida é um acidente
mortal
nos apressamos atrás da alegria
com tal pesar
mas lamentamos pelo que perdemos
por lamentar

a sapiência, querido, um falaço
confabulações sobre isso ou aquilo
linguagem e língua, beijo e malentendido
um grupo posando na praia
guris correndo do paço
o cão que ladra o ladrão

somos todos cobaias no grande ensaio
de algo parecido com uma peça
de quebra cabeças, querida

viu? uma idéia é mais livre que sua descrição
viver não comporta o sentido que damos à vida



diferentes passados do mesmo futuro



dois lados do mesmo muro:
quando criança destruí as roseiras da mãe
eu adulta, me destrói a mãe as roseiras



fonética temporal:
tudo acostuma
bem ou mal
vira espuma
colossal
coisa nenhuma



não sou o que é



eu sei de correntes febris que se formam em torno
de mim, coisas brancas e azuis rodando no cinza geral
o bruto é mau, veloz, abissal
e sem fim

essa destruição total aos doze minutos:
eis um erro que não mais cometerrei



defeitora

toda manhã leio as notícias e me mato
(tenho muito a entender
no entanto tendo a desentender)

morrer um morre (alguns demoram mais)
na alegria ou na tristeza, tanto faz
são coisas que herdamos

mas vira e mexe volta a vida e grita
'ressuscita!
mostra o monstro, minina!
dou-lhe dois dias pra conquistar o mundo!
na falha, cafeína na telha!'

pois sim, vida, seguirei sim
espalhando o óleo e os olhos
pelas águas infectadas
minhas águas intactas



que na crendice nada se desperdice



o contrato social mais frequente, coerente e vão
tem nada a ver com etiquetas, fronteiras ou respeito

fremente, estipula
prazer próprio
luxúria
saciação pura
na mais alta sala de estar
e no mal-estar da solidão



quer ouvir a mesma história mil vezes?

meus breus serão seus, criança
o calabouço nos espera, muita doença
e em torno da hora pra sempre parada
o bem e o mal dançarão, bactérias
o bem e o mal partirão juntos num aceno
(ah oceano, ah perene férias)
o mundo manipulado e feroz como nunca, pequeno

e sempre os momentos repletos de mártires
e o eterno prazer do desagrado
esses são tempos de irresponsáveis artes
(agora mesmo um cientista disse que fizemos nossa última burrice
de novo, ou pior)

olha, vou logo ali mas antes passo a cortina a ferro
pra deixar tudo fino e em ordem
pra mais sempre mais, filho
pra que acorde
quem sabe melhor



truculento brutamontes



uma força a ser reconhecida
primeiro e mortal sintoma
louco na ausência sentida
memória da matéria em coma

no momento de assumir a vida
(com teus muitos vulcões diminutos)
és um bruto caçando comida
enganando a tantos não tão astutos

tu, que mesmo na paixão esquecida
segue em frente no desejo e jogo
conquistando todo poder que intimida

saibas que na grande solidão de demagogo
tua pena já passada e absolvida
tu vai come e bebe fogo!



circus terminal @ amsterdam outsider art, 2013











mais sofreguidão na fogueira!














































camaradas, chegou a hora da devolução! o mundo nunca mais será o mesmo: as dores aumentarão; os sonhos, então, tornar-se-ão mais longínquos, alienados e ermos. o indivíduo será menor, mais sovina, muito menos nós, e as massas - essas serão mais e imperdoáveis e toscas e cegas, suas mães e mãos implacáveis, cem mil bocas comendo um só osso, uma força sem igual ou fronteiras. queimaremos todos no fogo dessa nossa mais nova paixão


deitei, me deleitei (fiz a fama, etc), sei lá
estava assim seguindo o que passa
sem distinção ou receio
'que agora tudo me basta!'
eu lá no meio da farsa

sim, vamos brincar enquanto formos crianças
vamos brincar de bandido e polícia, de caça e preguiça
de esperança e desprezo, com ou sem medo
antes que tudo se torne doença e nhén-nhén
(que é tudo teatro pro estado, meu bem)



comicpoem















http://sketchtoy.com/42926635



vida lá vem!



relovǝtion (share if you care)


(sinta só o sol lá, não olhe - sinta!)

o núcleo é claro e bulge
trêmulo descansa do frio que chegará

é todo reflexão e sombra que se surpreende
sempre, mesmo na rotina

tão feliz que faz chorar
seu olhar sem retina abrange a mãe e a mente

(que num dia diferente deixou a vida lhe tomar
- no colo! no copo! na pia!)

poesia



amsterdam





out of art


publishes my street art
text bert schoonhoven



present7900







que desesperador o despertador!



o momento (do lançamento do lamento) foi quando me disseram:
- tá pensando que água cai do céu, é?

cada coisa que não se pensa!



isso dito

teu novembro de silêncio
ficou bem na lembrança:
lisérgico, frio, desértico

vai agora digerir a perda
até que tudo se transforme
num intestino grosso e duro
viu a fúria, moço?



quantos cavalos valho?



o monstro mais atemorizante tem o sorriso mais manso

com licença, senhores da vida social
pra mim já chega, bem fiquei cheia mesmo
br>!
cansei desse seu seisei infinito
imperdoável e pública grito
- fóra contrato social! fora!!

arre mundo que já era!

sangue é cacife sem valor
volta e meia vem um e se embica
bem que disse o sábio, dessa teia:
'passarin entrá aí, ele fica!'



wall paintings @ barretos, 2013







a única coisa eterna é a infância



(lição de vida culinária:
quando a batata frita esfria fica uma porcaria,
já a batata cozida vai pra salada da vida)


clareza de clareiras

fui tocada pela luz da primavera
não houve confusão sobre o que era deus
ou o que não era

ouve sim a clave de sol
tocando em mim



variáveis de um deandar e seus possíveis meandros



bem me faz

tenho razão se concordo comigo
mesmo quando erro estou cerrta
sou o máximo no pacto da corrupta corretagem
tão discorrida e coragenta!
pelo sim pelo não sou também
concorrida. mal perdida, contradigo:
nunca perco! egomigo! sou o acerto!

muito dura a vida, assim de perto
dura pouco a vida, assim no tempo
e sempre tenho razão no meu argumento



são paulo 2012 & mococa 2013

transparent plastic bottles filled with corks and coloured plastic caps

photo: rachel prado





a palavra é poderosa e não está prosa!



te vi na tv

então nisso
abaixo-assinei com meu alters
todos muito magnânimos mesmo!
munificentes

tive essa premonição pré-motiviva
premunindo a todos contra os somíticos mesquinhos
(dos anônimos privados, sabe?
que rafael mudo há muitos nesse mundo
sem solução)



eilandloos

lopen we rond dit eiland
eeuwig op het ijs dat ooit water was

met mijn ogen naar de hemel
(het is donker daar)
droom ik een morgenzon
denkbeeldig en onbruikbaar

we zwemmen in een oneindige nachtbaarheid
naakt en oud is mijn slag, mijn koud beklag
zo als het hoort

trillend en in cirkels
ga ik voort



ana foi pro céu sim



seus átomos poéticos
integram a massa vazia do uni-
versorversorverso

no momento é lua absoluta, me absorvendo
eu vi-vendo tudo à obscura luz dela
absolua
tanto brilho prata de riqueza pura, crua
eu tão ao seu lado e não!

pesado é o buraco
as coisas que se vão nesse vão de vida!
cada instante é só uma dissonância a mais

estava meio que brincando mas é bem assim
morrer de avião ou de onda faz parte
e da própria mão sim
ana foi pro céu sim



ordinary

comum normal habitual usual ordinário



vou contar uma coisa (um segredo do fundo de dentro)


sempre batendo na mesma tecla, o artista propõe o inesperado e compõe o incomum

não sou uma boa pessoa, nem sou má
só cheia de culpa
 por não ser simplesmente boa

quando acordo arrasto minha cabeça 
pela sala - fazer café
olha a pia perdida, imundice de vida!

atos diversos (rápidos, suados) 
se descarregam do meu corpo

 como de um lotação
mui(n)to & (as)sociais
(minto meus ais)

é a miséria de um ego enorme se achando d+
um amor maior que a barriga
, come língua todos os dias 
(várias e muitas)
o cursor pulsando alto

acho que porque logo partiremos
nossas peles grudadas, cinzas fixadas com laquê de maquiagem

a canção de amor 'eu&você' um enorme sucesso de multidão
(tão fácil essa manipulação!)
é que canto meu grito ambíguo, que repito sem parar
boa ou não
 (sem esperar que me louvem ou me ouçam)
- o que eu quero é o grito!



tudo é relativo menos a imaginação

'no brasil
há um homem feliz..'
mas vladimir
foi fotografado em paris



voz o vento

uma dor muito maior do que a do chiuaua perdido no sofá

noite passada ouvi o drama do barranco à beira do rio torto, apressado
'pena o que parte e não volta!'
'que dor a saudade que fica!'
'quanto pranto perdido e por nada!'

eu ouvindo a mágoa do barro, ele sugando meus pés cansados
uma triste história sem terra nem água, só perda
'tantas pedras e pegadas se levaram sem adeus, rio adentro!'

pobres sem poder, o canto do rio é seu lamento



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