...................................................................................................

despir o corpo pra descobrir o coração



ah, a descoberta do prazer!
e depois:
ah-ha, a descoberta do auto-controle
o mais poderoso dos prazeres!


cara inveja,
para o que almeja, deseja, o que seja:
lacrimeja, pragueja, esbraveja, cacareja!
e veja: o que em mim lateja nem pestaneja.
vai e rasteja.




sem pé nem ôpa - errei na cabeça!






















ai vida de inconsequências
veja aquela velhinha apodrecendo na padaria
poderia ser eu mas não sou
cheguei cedo tomei meu suco e me fui
a bactéria está no cru e eu defumei

como anda o livro? anda sozinho sem mãos
danço a dança mas acabei dançando
vão apreciar menos? penso que não

mas o que eu queria mesmo dizer
: edificar - construir - é difícil
certas palavras só destroem
nos tiram a guarda e o pão
e então somos nós, apertados
mal-entendidos e menosprezados
poeira de implosão




vida fodonha



aqui minha mensagem a-final:
sou seu navio at-errado
(meus disparates também são seus)
seja gentil enquanto me a-firmo
em praias movediças

de resto - vamos!
enquanto ainda somos
somamos
este o nosso luxo
(alguns não têm nenhum)
vamos! não se assuste
talvez, apenas talvez
tal vez
não a penas



a vida é um acidente
mortal
nos apressamos atrás da alegria
com tal pesar
mas lamentamos pelo que perdemos
por lamentar

a sapiência, querido, um falaço
confabulações sobre isso ou aquilo
linguagem e língua, beijo e malentendido
um grupo posando na praia
guris correndo do paço
o cão que ladra o ladrão

somos todos cobaias no grande ensaio
de algo parecido com uma peça
de quebra cabeças, querida

viu? uma idéia é mais livre que sua descrição
viver não comporta o sentido que damos à vida



diferentes passados do mesmo futuro



dois lados do mesmo muro:
quando criança destruí as roseiras da mãe
eu adulta, me destrói a mãe as roseiras



fonética temporal:
tudo acostuma
bem ou mal
vira espuma
colossal
coisa nenhuma



não sou o que é



eu sei de correntes febris que se formam em torno
de mim, coisas brancas e azuis rodando no cinza geral
o bruto é mau, veloz, abissal
e sem fim

essa destruição total aos doze minutos:
eis um erro que não mais cometerrei



defeitora

toda manhã leio as notícias e me mato
(tenho muito a entender
no entanto tendo a desentender)

morrer um morre (alguns demoram mais)
na alegria ou na tristeza, tanto faz
são coisas que herdamos

mas vira e mexe volta a vida e grita
'ressuscita!
mostra o monstro, minina!
dou-lhe dois dias pra conquistar o mundo!
na falha, cafeína na telha!'

pois sim, vida, seguirei sim
espalhando o óleo e os olhos
pelas águas infectadas
minhas águas intactas



que na crendice nada se desperdice



o contrato social mais frequente, coerente e vão
tem nada a ver com etiquetas, fronteiras ou respeito

fremente, estipula
prazer próprio
luxúria
saciação pura
na mais alta sala de estar
e no mal-estar da solidão



quer ouvir a mesma história mil vezes?

meus breus serão seus, criança
o calabouço nos espera, muita doença
e em torno da hora pra sempre parada
o bem e o mal dançarão, bactérias
o bem e o mal partirão juntos num aceno
(ah oceano, ah perene férias)
o mundo manipulado e feroz como nunca, pequeno

e sempre os momentos repletos de mártires
e o eterno prazer do desagrado
esses são tempos de irresponsáveis artes
(agora mesmo um cientista disse que fizemos nossa última burrice
de novo, ou pior)

olha, vou logo ali mas antes passo a cortina a ferro
pra deixar tudo fino e em ordem
pra mais sempre mais, filho
pra que acorde
quem sabe melhor



truculento brutamontes



uma força a ser reconhecida
primeiro e mortal sintoma
louco na ausência sentida
memória da matéria em coma

no momento de assumir a vida
(com teus muitos vulcões diminutos)
és um bruto caçando comida
enganando a tantos não tão astutos

tu, que mesmo na paixão esquecida
segue em frente no desejo e jogo
conquistando todo poder que intimida

saibas que na grande solidão de demagogo
tua pena já passada e absolvida
tu vai come e bebe fogo!



circus terminal @ amsterdam outsider art, 2013











Archive

Followers