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pele de poeta pui?



estou sempre indo
não sei pra onde
mas eu vou



quando abri meus olhos de manhã
os vi velhos, meus olhos
me viram velha também

a velhice chegou quando acordei
e abri meus olhos

antes era só brincadeira
de cadeiras, cobra-cega
rabo-de-burro, jogos no escuro
um tato intenso, ser jovem
e injusto e absurdo
egoísta a perder de vista

então abriram-se meus olhos
(as mãos com dedos insensíveis
artrite de artista, dão testemunho)

e o ar triste da velhice inalado fundo
e o exalar do discernimento de ser
e os olhos já vagos num mar de pensamentos
e o meu acordar de envelhecer




a pergunta é sempre a mesma, as respostas são muitas


óleo sobre linho, 120x125 cm, 2004


fumar fumar fumar
e assim quem sabe me tornar
hannah arendt



perdeu-se um homem que atente pelo nome de honório
última vez visto zanzando pelo complexo humano chamado urbano
gritando coisas sem pé nem cabeça, insano na ausência do eu

foi sua essência que se perdeu




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