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pele de poeta pui?



estou sempre indo
não sei pra onde
mas eu vou



quando abri meus olhos de manhã
os vi velhos, meus olhos
me viram velha também

a velhice chegou quando acordei
e abri meus olhos

antes era só brincadeira
de cadeiras, cobra-cega
rabo-de-burro, jogos no escuro
um tato intenso, ser jovem
e injusto e absurdo
egoísta a perder de vista

então abriram-se meus olhos
(as mãos com dedos insensíveis
artrite de artista, dão testemunho)

e o ar triste da velhice inalado fundo
e o exalar do discernimento de ser
e os olhos já vagos num mar de pensamentos
e o meu acordar de envelhecer




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